192 Verão Parte 1

Escrito por: F G Gonzalez

Tempo de leitura: 17 minutos

O clangor das espadas ecoava nas pedras do pátio da cidadela enquanto os dois guerreiros se enfrentavam. Os repetitivos choques geravam uma melodia própria naquele fim de tarde, seus demais acordes eram compostos pelo ruído áspero das peças da armadura raspando uma na outra, pela respiração ofegante dos combatentes e até mesmo pelo escasso silêncio entre cada investida. Todos esses sons combinados davam forma à conhecida sinfonia do combate.

Ambos os compositores trocaram uma nova sequência de golpes, mais longa que as anteriores, antes de se afastarem.

Ao se encontrar à uma distância segura o mais alto dos dois abaixou lentamente o braço do escudo, fatigado, a temperatura elevada sugava suas energias com rapidez e a cada instante o equipamento parecia se tornar ainda mais pesado.

Seu oponente não demonstrava cansaço, mas tão pouco se adiantava para atacá-lo, preferindo aguardar até que ele tomasse a iniciativa.

Querendo ganhar tempo para recuperar o fôlego o guerreiro alto deu alguns passos para o lado, fazendo o outro andar na direção contrária. Conforme os dois se rodeavam ele procurava uma abertura na guarda do adversário, escudo e espada novamente em posição, prontos para um novo ataque.

Gradativamente o círculo que traçavam diminuiu de tamanho até estarem separados por apenas três passos, pouco além do alcance das espadas, e assim permaneceu.

Em um dado momento o guerreiro menor inverteu o sentido de suas passadas e avançou com rapidez, fintou com um golpe lateral à direita, recolhendo a espada logo em seguida e aproveitando o impulso para dar um giro ao redor do próprio corpo, terminando-o atrás do adversário.

Mesmo sendo pego de surpresa o mais alto conseguiu mover o escudo para interceptar o ataque falso, contudo falhou em se defender do verdadeiro, quando este o atingiu com força acima da nuca.

A sinfonia foi encerrada com o ribombar do elmo de metal. Sendo logo seguida pela algazarra do fim de um espetáculo quando os escudeiros, soldados e demais espectadores comemoraram a queda do combatente.

— Vamos encerrar o treino por hoje rapaz, você está morto! — disse Ellon, sua voz grossa se sobrepondo aos gritos da plateia. — Seja descuidado assim em uma batalha de verdade e vai ganhar muito mais que um galo.

— Nunca te vi fazer um movimento como esse. — respondeu Willen prostrado de costas no chão, os ouvidos zumbindo por causa do golpe.

Ainda deitado ele soltou o braço da alça do escudo e depois se esforçou em retirar o elmo amassado da cabeça. O cabelo castanho, que lhe chegava até os ombros, se manteve grudado à cabeça no mesmo formato da proteção, brilhando de suor. O rosto quadrado e duro combinava com o porte musculoso de um guerreiro veterano, mas eram contraditos pela voz e as ações mais infantis.

— E você espera que seu inimigo lhe mostre todos os seus truques antes de uma luta?

— É claro que não, mas achei que já conhecesse todos os seus. — admitiu Willen com um sorriso.

— Isso seria impossível, uma luta nunca é igual a outra. Mesmo que os adversários sejam sempre os mesmos. — respondeu Ellon, usando seu melhor tom de instrutor.

— Confesse logo que acabou de inventar esse ataque capitão! — gritou Hiran em meio aos outros espectadores. Ele não costumava perder uma oportunidade de provocar o homem mais velho e ao se aproximar da dupla para recolher as armas de treino continuou. — Garanto que sua reputação como melhor espadachim do reino não será manchada por causa disso.

— É obvio que não foi uma manobra padrão. — respondeu Ellon com o rosto impassível, entregando sua espada e escudo para um dos jovens que o cercavam e se ajoelhando para que outro desafivelasse sua armadura. — Mas não acho que se possa esperar muito de um escudeiro tão velho.

— Não comecem com essa discussão de novo. — disse Willen, aceitando a mão que Hiran lhe estendia para ficar de pé. — Venha Hiran, me ajude com meu equipamento. — Ele completou guiando o outro para longe do grupo.

— Isso mesmo garoto, vá cumprir suas obrigações e talvez um dia esses jovens sintam pena suficiente de você e lhe deem a honra de se tornar um guerreiro. — gritou o capitão. — Ou quem sabe apenas os filhos deles tenham de sofrer com essa decisão.

Visivelmente irritado, Hiran tentou se virar para responder, mas Willen continuou segurando-o e o empurrando na direção contrária, até que ele se permitiu ser levado para o arsenal.

Ocupando toda uma lateral da muralha interna, o prédio era a segunda maior construção da cidadela, perdendo apenas para a própria fortaleza. Nele eram armazenadas toda a sorte de armas e armaduras, em quantidade mais que suficiente para equipar os soldados que serviam ao senhor da cidade e também os guerreiros que os lideravam. As armas ficavam agrupadas conforme o tipo ao longo das paredes e as armaduras em longos suportes no centro.

Nos fundos, em um cômodo separado, haviam trinta nichos individuais destinados aos equipamentos dos guerreiros, somente a eles era permitido ter armamento próprio. Contudo apenas dezenove dos espaços estavam sendo usados atualmente.

Exausto após a sessão de treino, Willen caminhou lentamente até essa área, onde sentou em uma das toras de madeira usadas como bancos e esperou enquanto Hiran guardava a espada e o escudo, para depois ajudá-lo a retirar as peças de sua armadura.

Ambos se mantiveram calados.

Não demorou muito e os três escudeiros de Ellon apareceram, eles conversavam animados quando entraram no cômodo, mas se calaram logo que viram os dois, e então se apressaram em guardar o equipamento do capitão e sair.

— Por que insiste em discutir com ele se sabe que é sua melhor chance de ser consagrado um guerreiro? — perguntou Willen, quando teve certeza de que estavam sozinhos novamente.

— O capitão sempre me desprezou, desde que me mudei para a cidade! E você ouviu o que ele disse por último, que aquelas crianças com metade da minha idade seriam guerreiras antes de mim. — respondeu Hiran com raiva. — Nunca ouvi falar de alguém ser nomeado após os quarenta e eu já tenho trinta e quatro. Você mesmo recebeu o título aos vinte e dois.

Willen não disse nada, deixando que o amigo extravasasse o que sentia, porém Hiran se limitou àquela única altercação, embora sua respiração acelerada indicasse que permanecia irritado.

Quando voltou a falar, já tendo quase terminado de desmontar a armadura, estava mais controlado:

— Já sofri com esse sentimento de desprezo vindo de muitas outras pessoas aqui na cidade, porém no caso do capitão sempre foi algo mais intenso. Provocar e irritá-lo foi o único meio que encontrei pra aliviar um pouco essa sensação, pelo menos enquanto eu continuar sendo um escudeiro.

— Então tudo o que você quer é desafiá-lo para uma luta?

— Ellon, o imbatível? De jeito nenhum, a fama dele é totalmente justificada. Sei muito bem que perderia o combate. — disse Hiran, guardando as últimas peças de metal no suporte. — No entanto acredito que o título me daria mais respeito.

— Talvez. — disse Willen sem muita convicção. — Parar de fazer piadas também ajudaria a que ele gostasse mais de você.

— Você fala como se o grande Ellon fosse o único capaz de me tornar um guerreiro! — disse Hiran.

— Sei o que está insinuando, mas se for eu a realizar a cerimônia todos pensarão que você recebeu o título somente pela nossa amizade e não porque mereceu. — Antes de continuar Willen se levantou, ficando de frente para o amigo. — Seria melhor que a indicação partisse de alguém mais velho e mais experiente.

— Você poderia…

— Sim! — Interrompeu Willen. — Eu poderia pedir ao meu tio ou então falar diretamente com outro guerreiro, porém isso também não lhe traria nenhuma estima. — Contrariado, Hiran se afastou alguns passos e passou a arrumar o equipamento em outro nicho. — Já fazem muitos anos desde a última guerra ou alguma grande batalha que pudesse dar renome a um escudeiro rapidamente. Nesses dias, o único meio de mostrar suas habilidades é em torneios e eles têm acontecido com frequência, você só precisa continuar treinando para se destacar em algum deles. Meu tio com certeza organizara um no seu aniversário.

Mudando a posição de uma última peça da armadura, Hiran voltou a encarar Willen e em meio a um longo suspiro assentiu com a cabeça.

— Ah, e tente manter a boca fechada. — Completou Willen, tentando conter o riso. — Vai fazer com que pensem que você finalmente amadureceu.

— Mesmo que não seja verdade? — Hiran perguntou, também sorrindo.

— Mesmo que não seja verdade. — disse Willen, começando a gargalhar e logo sendo acompanhado pelo amigo.

Em meio à um acesso de riso, Hiran propôs que os dois fossem até a Poço sem Fundo, a taberna preferida deles, e bebessem em homenagem à saúde de Harland, senhor de Colina Trovoada, rei de Vasatiko e tio do príncipe Willen. Sugestão que foi aceita com entusiasmo.

A já tarde estava bem avançada, com uma grande faixa do céu à Leste tendo adquirido um tom azul marinho, quando a dupla atravessou o portão da cidadela em direção à parte baixa da cidade.

Localizada sobre a maior dentre as colinas da região, a cidade era visível a quilômetros de distância. Assomando no ponto mais alto ficava a fortaleza real, um castelo composto por um grande salão, com cinco torres envolvendo-o, e uma torre de menagem duas vezes mais alta que as demais. Os alojamentos dos soldados, o arsenal e os abrigos para as montarias totalizavam as demais construções da fortaleza. Um amplo pátio central dava acesso a cada uma delas e tudo era cercado por uma espessa muralha e um fosso seco.

A fortaleza compartilhava a área do topo da colina somente com o templo dos Deuses Menores, uma construção hexagonal de grandes proporções, no entanto bem mais modesta que sua vizinha. Entre as duas estruturas havia uma grande praça arborizada, que se estendia para o Sul além delas, com estatuas e fontes de água.

O restante da cidade ocupava a maior parte das encostas Norte e Oeste da colina, onde o terreno descia suavemente até um vale formado entre outras duas elevações. Por este local corria o rio Tortuoso, cuja nascente ficava em um morro vizinho. O único outro rio da região era o Relâmpago e sua nascente ficava entre as árvores de um pequeno bosque poucos quilômetros ao Sul da cidade.

Situada na parte baixa da cidade, assim como todas as outras tabernas de Colina Trovoada, Poço sem Fundo se destacava das casas e lojas que a cercavam pelo seu tamanho, três andares de altura e área suficiente para abrigar ao menos dez das construções vizinhas. Os dois andares superiores eram divididos em diversos quartos de tamanhos variados, enquanto que no primeiro só havia uma parede separando a cozinha do salão, onde dezenas de mesas se espalhavam sem nenhuma organização aparente.

Como de costume a Poço estava movimentada no início da noite, uma vez que muitos dos habitantes da cidade compartilhavam da opinião de Willen e Hiran sobre o lugar.

Por todo o salão era possível ver grupos de homens e mulheres, bebendo, comendo, conversando, dando risadas, e procurando se divertir ao final de um longo dia. De vez em quando um casal subia as escadas e fazia os demais clientes gritarem em comemoração, todos ali sabiam a principal função daqueles quartos e a maioria já tinha feito uso deles pelo menos uma vez. Com menor frequência, no entanto algo ainda bastante comum, outro tipo de casal ou até mesmo grupos causavam a mesma comoção da subida, quando uma briga começava em meio ao salão. Estas nunca duravam muito, com os envolvidos sendo expulsos da taberna pelos demais fregueses que se orgulhavam de frequentar e defender a reputação de um lugar onde nunca tinha ocorrido uma morte.

Enquanto os dois amigos, parados junto à porta da entrada, examinavam o salão procurando um lugar desocupado, uma mulher cruzou apressada a frente deles carregando uma bandeja com várias canecas e pratos de comida.

— Oi Marcus, oi Hiran. — Ela disse por cima do ombro ao passar. Depois de servir uma das mesas, voltou até onde eles estavam parados e continuou. — Querem que eu traga algo para vocês beberem?

— Olá Lila, queremos sim! — respondeu Hiran. — Mas primeiro precisamos encontrar um lugar para sentar.

— Seus amigos estão com uma mesa lá no canto. — Ela disse, apontando para o outro lado do salão.

— Obrigado. — Willen respondeu, estendendo a mão direita e tocando com carinho o braço esquerdo dela. — Me procure mais tarde, quando não estiver tão ocupada.

Lila abriu um largo sorriso e acenou com a cabeça, avisando que pediria para algum atendente ir até a mesa deles anotar o pedido, antes de se virar e seguir para a cozinha.

Sendo membro da família real e herdeiro do trono, Willen atraia muita atenção quando era reconhecido em público, motivo pelo qual ele evitava ao máximo revelar seu nome verdadeiro, usando sempre o de seu falecido pai. O fato de seu rosto não ser muito conhecido fora da nobreza facilitava, sendo necessário apenas usar roupas simples para passar desapercebido.

Muitos soldados da tropa pessoal de seu tio também eram frequentadores das tabernas, no entanto eles sabiam como tratá-lo fora da cidadela. Ainda assim, sempre havia a possibilidade de encontrar algum outro nobre disfarçado, mas como ambos estariam na mesma situação ele duvidava que fossem revelar sua identidade.

Quando a dupla chegou ao local indicado por Lila, encontraram outros três frequentadores assíduos da taberna, Árica, Rolf e Leandro.

Árica e Rolf eram irmãos, contudo a única semelhança entre eles era sua espantosa habilidade com armas e o fato de ambos serem escudeiros sob os cuidados de um mesmo guerreiro.

Tendo atingido a maioridade no início daquele ano, Árica tinha quase dois metros de altura e era uma cabeça mais alta do que a maioria das pessoas, assim como o próprio príncipe. Possuía um corpo de porte esbelto e bem definido, cabelos que lhe chegavam até o meio das costas, olhos muito claros, o rosto redondo e bonito, apesar das marcas e cicatrizes dos treinos.

Rolf era cinco anos mais novo, com cabelos curtos que não chegavam nem aos ombros da irmã, mas o peito era uma vez e meia mais largo, assim como os braços e as pernas. Seus olhos escuros, o rosto quadrado e a barba rala lhe davam um aspecto mais sério, o qual se desfazia assim que abria a boca. Era bem comum que ele e Hiran fossem tidos como irmãos, uma vez que afora os cabelos compridos deste, os dois amigos eram muito parecidos, tanto na fisionomia quanto na personalidade.

O último membro do grupo era também o mais velho de todos eles. Com quarenta e dois anos Leandro tinha estatura mediana, porte magro e nenhum músculo aparente no corpo, o que combinava com sua condição de arcano, cujo o treinamento só exercitava a mente, cuja cabeça era totalmente desprovida de pelos.

— Até que enfim vocês chegaram! — gritou Rolf visivelmente alterado, agitando os braços e derramando o hidromel de sua caneca por toda a mesa.

— Meu irmão e eu estávamos achando que teríamos de beber toda o hidromel da cidade sozinhos. — Completou Árica sem o entusiasmo do irmão, dando espaço para os dois se sentarem no banco ao lado dela.

— Pelo visto vocês estão aqui há algum tempo. — disse Hiran ao ver Rolf, do outro lado da mesa, tentando secar a bebida com a manga da camisa. — Como foi a viagem até Fontermais?

— Longa e cansativa. — respondeu Árica de modo abatido, entre um gole e outro.

Willen reparou que ela também estava bêbada, mas em um nível bem menor do que Rolf, conseguindo falar sem se enrolar com as palavras ou desperdiçar sua bebida.

— Meu irmão mais velho foi morto por salteadores. — Ela completou, depois de ter esvaziado a caneca.

— Morto? — perguntaram Willen e Hiran ao mesmo tempo. — Como isso foi acontecer?

— Foi minha culpa. — respondeu Rolf, a voz enrolada pela bebida e os olhos cheios de lágrimas. — Foi tudo minha culpa! Tudo minha culpa! — Ele repetiu, abaixando a cabeça até a mesa e envolvendo-a com os braços. O barulho das conversas em volta não permitia que eles ouvissem, mas o movimento dos ombros deixava bem claro que ele chorava.

Willen se virou para Árica, no entanto a amiga segurava a caneca com ambas as mãos e olhava fixamente a mesa entre ela e o irmão, alheia a todo o resto.

Sentado ao lado de Rolf, Leandro precisou se inclinar sobre a mesa para se aproximar de Hiran e Willen, então, mantendo a voz baixa ele perguntou:

— Lembram-se que há vários dias um grupo de bandidos vinha atacando fazendas e até algumas aldeias na região Norte?

— Sim, nas proximidades de Fontermais. — respondeu Hiran. — E por serem os senhores da cidade, cabia à família deles proteger a população.

— Exato. O pai e o irmão mais velho já estavam em perseguição com uma companhia cada, eles haviam planejado guiar esses bandidos na direção do Lago Fervente para que nenhum pudesse escapar. — Indicando os irmãos com a cabeça Leandro continuou. — Quando os dois chegaram na cidade e souberam dessa notícia, reuniram mais alguns soldados e partiram imediatamente. Contudo, ao invés de encontrarem o pai ou o irmão acabaram sofrendo uma emboscada.

— Isso foi tolice da parte deles. — comentou Hiran.

— Eles são jovens e provavelmente só queriam mostrar suas habilidades para o pai. — disse Willen, cutucando o amigo com o cotovelo, para lembrá-lo de sua conversa no arsenal.

— Mas como foi que Ross acabou morrendo? — perguntou Hiran se referindo ao irmão mais velho de Árica.

— Ele e seus soldados alcançaram os irmãos enquanto lutavam contra os salteadores, estavam cercados e em menor número. — respondeu Leandro. — Ross liderou um ataque feroz e não parou até chegar ao lado dos dois, os bandidos se renderam pouco depois, mas ele sofreu ferimentos graves e morreu no próprio local.

— Quem te contou tudo isso? — perguntou Hiran mais uma vez.

— Eu pude conversar um pouco com Rolf antes dele conseguir se embebedar, mas a maior parte ouvi dos soldados que os acompanharam de Fontermais.

— Isso quer dizer que Árica agora é a herdeira. — comentou Willen.

Leandro anuiu e apontou para as mãos da amiga, nas quais cintilava um grande anel com o brasão da família, um casco de tartaruga lilás sobre um mar azul escuro, indicando que seria ela a suceder o pai.

Willen então serviu para eles o hidromel que os irmãos haviam comprado e levantou sua caneca em um brinde silencioso, Hiran e Leandro o acompanharam bebendo todo o conteúdo. Em seguida eles pediram por mais bebidas e um prato de ensopado para cada um, conversaram muito pouco e sempre com a voz baixa, em respeito aos amigos.

Rolf tinha parado de chorar e agora roncava, dormindo na mesma posição, Árica permanecia com o olhar desfocado e perdido no tampo da mesa.

Foi somente quando os três terminaram de comer que ela enfim se moveu, olhou em volta por alguns instantes e acabou voltando o rosto para eles, respirando profundamente várias vezes antes de conseguir falar:

— Desculpem, mas não acho que eu vou ser uma boa companhia para ninguém esta noite. Vocês podem cuidar do meu irmão? — Os três concordaram, ela tentou forçar um sorriso, mas não teve sucesso e acabou desistindo. — Estou precisando de uma subida que me deixe sem forças para eu sonhar!

Nenhum deles respondeu ou fez qualquer menção de impedir quando, logo depois, Árica se levantou e caminhou por entre as mesas do salão até parar junto a um dos homens que serviam as mesas. Após conversarem por alguns instantes os dois subiram para o andar de cima sob as vivas e os assovios dos outros fregueses da Poço sem Fundo.

Hiran, Leandro e Willen permaneceram na taberna por um longo tempo. Conforme eles bebiam a conversa fluía com mais facilidade, porém os três tinham conhecido Ross muito bem e mais de uma vez os risos foram seguidos por longos períodos de silêncio.

Já devia ser madrugada quando Lila foi até a mesa deles avisar que não iria mais trabalhar naquela noite, quase não havia mais clientes no salão, e destes, a maioria estava desmaiada.

Willen se despediu dos amigos que se esforçavam em carregar o corpo de Rolf até a porta, no entanto os dois arranjaram forças para bater palmas e gritar enquanto o casal subia as escadas.

Fantasia Sword and Sorcery Colina Trovoada Pt-Br FGGonzalez

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